POLÍTICA

Veja o que pensam os brasileiros sobre dificultar o impeachment de ministros do STF

Publicado em 20/12/2025

Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest, divulgada nesta sexta-feira (19), aponta que 51% dos brasileiros discordam da proposta que dificulta o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Outros 33% afirmaram concordar com a medida, enquanto 16% não souberam ou não responderam.

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O levantamento revela que apenas 33% dos entrevistados concordam com a medida, enquanto 16% preferiram não opinar ou não souberam responder. Os dados surgem no mesmo dia em que o Senado Federal, sob o comando de Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu adiar a votação do projeto de lei que revisa a Lei do Impeachment para 2026, retirando o tema da agenda prioritária deste final de ano.

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Polarização e contradições políticas

A pesquisa detalha como as convicções políticas moldam a percepção sobre o tema, apresentando recortes curiosos. Surpreendentemente, os lulistas são os únicos que apresentam maioria favorável à proposta de blindagem: 46% concordam com a dificuldade imposta ao impeachment, contra 34% que discordam. Na esquerda não lulista, o cenário se inverte, com 46% de rejeição à medida.

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O maior índice de reprovação à proposta, no entanto, vem da direita não bolsonarista, onde 70% dos entrevistados se posicionam contra dificultar a saída de ministros. Entre os bolsonaristas, a discordância atinge 59%, refletindo as críticas frequentes desse grupo à atuação do STF. Já entre os eleitores que se consideram independentes, 50% são contrários à mudança.

Contexto Legislativo e o “Fator Gilmar Mendes”

A revisão da Lei do Impeachment ganhou fôlego como uma reação do Congresso a decisões recentes da Corte, especialmente após o ministro Gilmar Mendes limitar regras para pedidos de deposição. O texto original da nova lei foi gestado em 2023 por uma comissão de juristas liderada pelo agora ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e incluía prazos rígidos para a análise de denúncias de crime de responsabilidade.

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Apesar da pressão de setores do parlamento, o adiamento decidido por Alcolumbre retira o STF da “linha de tiro” imediata, mas os dados da Quaest mostram que a população, independentemente da inclinação ideológica majoritária, preza pela manutenção dos mecanismos de fiscalização sobre os magistrados.

Metodologia: A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 11 e 14 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.